Reflexão: Que tipo de cristão somos?
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Jesus propôs mais outra parábola para alguns que se julgavam pessoas muito justas e desprezavam os outros:
Lucas 18:9-14 (tradução A Bíblia para Todos)
Jesus tem um
propósito claro com este episódio relatado em Lucas: advertir as pessoas que
confiavam em sua própria justiça e menosprezavam os outros (v 9).
É , no entanto,
muito interessante que o faça inventando uma história em que põe dois homens
distintos a orar! Porquê? Porque na
oração (ou falta dela) muito se evidencia do que vai, verdadeiramente, no
coração de cada um de nós! Quando oramos, nosso coração, nossa mente, nossa
vontade, abrem-se, revelam-se notavelmente…
- Para uns não passa de mera rotina religiosa, mais ou menos
fria, mais ou menos repetitiva e árida… qual “ladainha evangélica”.
- Para outros é uma espécie de luta com Deus, para Lhe tentar
“sacar” tudo e o máximo que desejam e os satisfaz, pouco interessando a Vontade
Soberana do Senhor.
- Outros, ainda, a exemplo do fariseu, é como um exercício de auto justificação e exaltação do “eu”
perante Deus e o próximo
- Para outros é o resultado da absoluta e total confiança em
Deus, de abandono consciente, deliberado e submisso à Sua vontade, qualquer que
ela seja.
Voltando à nossa
história, e tendo em atenção o propósito que Jesus tinha ao contá-la, notemos o
seguinte:
O fariseu, sendo um
protótipo que Jesus inventou, representa muito bem inúmeras pessoas e até cristãos (talvez,
mesmo, principalmente cristãos) que vivem suas vidas longe do “coração de Deus”, confiando em si próprios, em seus
dons, talentos, pedigree espiritual, experiências passadas, bens materiais,
influências, amizades e mais um sem número de outros recursos, todos eles
focados em si mesmos, recursos esses que a Bíblia apelida de meros “trapos de imundícia…” em Isaías 64: 6. Esses que em tais coisas confiam, arriscam a, pura e simplesmente, ficar condenados ao “desprezo” de Deus (v 14 ,versão
BKJActualizada).
Mas o caminho para o
“coração de Deus “ é outro, notavelmente divergente daquele, e que Jesus
genialmente exemplifica com o exemplo do publicano (naturalmente desprezado e
odiado pelo judeu de linhagem…), magistralmente “colocado” no limite do cenário
(…”à distância”—v 13), cabisbaixo (de tanta vergonha, arrependimento e
quebrantamento que sentia perante o Deus Todo Poderoso, Santo e Justo) e
balbuciando parcas palavras vindas de um coração profundamente abatido e humilhado.
Este saiu justificado e exaltado, remata o Senhor Jesus Cristo bem no final da
singela história.
Esta notável parábola, remete-me para 2 ou 3 outras passagens da
Escritura que complementam e reforçam o ensino de Jesus, e nos ensinam para que
tipo de pessoa Deus olha, busca
encontrar e deseja coabitar,
declarando-a justa e aceitável: Sl 51:17 Is 57: 15 e Is 66:1-2.
Que tipo de Cristão somos? Totalmente dependentes e quebrantados, em cada
dia, perante o Grande Deus Eterno, ou
ainda alimentando expectativas e ilusões a nosso respeito?
Que o Senhor abençoe a cada um
José Manuel Fernandes
Médico de Medicina Geral e Familiar

