12/04/14

Reflexão: Que tipo de cristão somos?

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Jesus propôs mais outra parábola para alguns que se julgavam pessoas muito justas e desprezavam os outros:
«Dois homens foram ao templo para orar. Um deles era fariseu e o outro cobrador de impostos.
O fariseu, altivo, orava assim: “Ó Deus, agradeço-te porque não sou como os outros, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este cobrador de impostos que ali está.
Jejuo duas vezes na semana e dou a décima parte de tudo o que ganho.”
Mas o cobrador de impostos ficou à distância e nem sequer se atrevia a levantar os olhos para o céu; apenas batia com a mão no peito e dizia: “Ó meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!”»
E Jesus concluiu: «Afirmo-vos que o cobrador de impostos foi para sua casa justificado aos olhos de Deus, ao contrário do fariseu. Pois todo aquele que se engrandece será humilhado e todo o que se humilha será engrandecido.»
Lucas 18:9-14 (tradução A Bíblia para Todos)

Jesus tem um propósito claro com este episódio relatado em Lucas: advertir as pessoas que confiavam em sua própria justiça e menosprezavam os outros (v 9).

É , no entanto, muito interessante que o faça inventando uma história em que põe dois homens distintos a orar! Porquê?  Porque na oração (ou falta dela) muito se evidencia do que vai, verdadeiramente, no coração de cada um de nós! Quando oramos, nosso coração, nossa mente, nossa vontade, abrem-se, revelam-se notavelmente…
- Para uns não passa de mera rotina religiosa, mais ou menos fria, mais ou menos repetitiva e árida… qual “ladainha evangélica”.
- Para outros é uma espécie de luta com Deus, para Lhe tentar “sacar” tudo e o máximo que desejam e os satisfaz, pouco interessando a Vontade Soberana do Senhor.
- Outros, ainda, a exemplo do fariseu, é como um exercício  de auto justificação e exaltação do “eu” perante Deus e o próximo
- Para outros é o resultado da absoluta e total confiança em Deus, de abandono consciente, deliberado e submisso à Sua vontade, qualquer que ela seja.

Voltando à nossa história, e tendo em atenção o propósito que Jesus tinha ao contá-la, notemos o seguinte:

O fariseu, sendo um protótipo que Jesus inventou, representa muito bem  inúmeras pessoas e até cristãos (talvez, mesmo, principalmente cristãos) que vivem suas vidas longe do “coração  de Deus”, confiando em si próprios, em seus dons, talentos, pedigree espiritual, experiências passadas, bens materiais, influências, amizades e mais um sem número de outros recursos, todos eles focados em si mesmos, recursos esses que a Bíblia apelida de meros  “trapos de imundícia…” em Isaías 64: 6.  Esses que em tais coisas confiam, arriscam a, pura e simplesmente, ficar condenados ao “desprezo” de Deus (v 14 ,versão BKJActualizada).

Mas o caminho para o “coração de Deus “ é outro, notavelmente divergente daquele, e que Jesus genialmente exemplifica com o exemplo do publicano (naturalmente desprezado e odiado pelo judeu de linhagem…), magistralmente “colocado” no limite do cenário (…”à distância”—v 13), cabisbaixo (de tanta vergonha, arrependimento e quebrantamento que sentia perante o Deus Todo Poderoso, Santo e Justo) e balbuciando parcas palavras vindas de um coração profundamente abatido e humilhado. Este saiu justificado e exaltado, remata o Senhor Jesus Cristo bem no final da singela história.

Esta notável parábola, remete-me para 2 ou 3 outras passagens da Escritura que complementam e reforçam o ensino de Jesus, e nos ensinam para que tipo de pessoa Deus olha, busca encontrar e deseja coabitar,  declarando-a justa e aceitável: Sl 51:17  Is 57: 15 e Is 66:1-2.

Que tipo de Cristão somos? Totalmente dependentes e quebrantados, em cada dia,  perante o Grande Deus Eterno, ou ainda alimentando expectativas e ilusões a nosso respeito?


Que o Senhor abençoe a cada um

José Manuel Fernandes
Médico de Medicina Geral e Familiar