09/11/11

HOMOSSEXUALIDADE


A homossexualidade sempre existiu ao longo da História da humanidade, embora sendo tradicionalmente considerada um comportamento anómalo e sancionado pela sociedade. No entanto, nas últimas décadas, temos assistido a uma maior divulgação deste estilo de vida, bem como a uma tentativa de reconhecimento e integração plena na sociedade dos gay. No início deste ano, o parlamento português aprovou uma lei iníqua que legaliza os casamentos entre homossexuais, só não lhes permitindo a adopção de crianças. Portugal tornou-se assim o sexto país, a nível mundial, a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Nos últimos 50 anos, no mundo ocidental, temos assistido a uma profunda mudança de mentalidade e atitude, por parte da opinião pública, relativamente a questões relacionadas com a homossexualidade e a sexualidade em geral. A influência crescente do pensamento pós-moderno, relativismo e perda dos valores cristãos, a par de uma cobertura desinibida, e muitas vezes sensacionalista, dos meios de comunicação, têm levado a uma maior tolerância e aceitação deste tipo de comportamento, que passou a ser considerado por muitos simplesmente uma variante do normal. No nosso país, tal facto é notório nas recentes telenovelas e «reality-shows», bem como na influência crescente da esquerda radical na sociedade portuguesa. No entanto, contrariamente ao que seria de supor, a verdadeira prevalência da homossexualidade (masculina e feminina) na população não ultrapassa os 2 por cento, de acordo com a maior parte dos estudos científicos.

Perspectiva histórica

A homossexualidade não é, porém, um fenómeno novo. As obras de Sócrates e Platão revelam que, na Grécia Antiga, o amor entre dois homens era considerado superior ao amor entre um homem e uma mulher. Isto numa época em que a mulher era considerada um ser inferior, confinado à vida doméstica, não tendo sequer direito a voto no berço da democracia.

No Império Romano, embora os comportamentos homossexuais fossem proibidos por lei desde o século III a. C., e os vínculos familiares fossem fortes, os delitos sexuais eram comuns entre as classes dominantes e vários imperadores romanos eram assumidamente homossexuais.

A cultura judaica, pelo contrário, sempre valorizou a importância da vida familiar e impunha pesadas penas a todos os que deliberadamente a perturbassem. Tanto o adultério como as práticas homossexuais eram motivo de condenação à morte.

Desde o advento do Cristianismo que praticamente todos os teólogos (excepto os adeptos da teologia liberal) são unânimes na condenação do comportamento homossexual, considerando-o uma das consequências do pecado original e um claro desvio dos propósitos iniciais do Criador.

Alguns doutores da Igreja, como Tertuliano, Agostinho e Tomás de Aquino consideravam a homossexualidade um acto “contra a natureza”. No período da pré-Reforma, os pecados de índole sexual eram considerados muito graves, e grande parte do pensamento religioso medieval foi afectado pelo dualismo neo-platónico segundo o qual o corpo era inferior ao espírito, devendo ser disciplinado. O celibato era considerado o melhor caminho para uma vida de santidade e a promiscuidade sexual de qualquer tipo uma expressão de carnalidade primária.

Os teólogos da Reforma Calvino e Lutero, falaram duramente contra a homossexualidade mas salientaram que ela não era nem melhor nem pior que o adultério ou outros tipos de pecado.

O que é a homossexualidade?

A homossexualidade pode ser definida como sendo a atracção emocional e sexual entre pessoas do mesmo sexo. A palavra “homossexual“entrou na linguagem corrente, nos Estados Unidos, em 1869. Nas últimas décadas, nos países anglófonos foi em parte substituída pelo termo gay, de menor carga pejorativa.

Diversos estudos sugerem que, no mundo ocidental, menos de 2% da população masculina e menos de 1% da feminina, têm uma orientação exclusivamente homossexual.

No que diz respeito às causas da homossexualidade, não há qualquer evidência de carácter científico de que seja transmitida geneticamente. Certas influências familiares parecem ser importantes, como uma mãe dominante e excessivamente protectora (dificultando todos os contactos heterossexuais dos filhos), a falta de amor incondicional por parte dos progenitores ou uma vida familiar conflituosa. Segundo a Drª Elizabeth Moberly, psicóloga de Cambridge, no Reino Unido, “a orientação homossexual não resulta de uma predisposição genética, desequilíbrio hormonal ou processo de aprendizagem anormal, mas sim de dificuldades no relacionamento entre pai e filho e mãe e filha, principalmente nos primeiros anos de vida”. O Dr. Joseph Nicolosi, psicólogo clínico norte-americano, refere no seu livro Preventing Homosexuality: “nos últimos 15 anos, tenho aconselhado centenas de homens homossexuais, e nunca encontrei nenhum que me dissesse que tenha tido um relacionamento afectuoso e respeitador para com o seu pai”.

As crianças, especialmente os rapazes, para se desenvolverem normalmente a todos os níveis, nomeadamente na afirmação da sua identidade sexual masculina, devem receber afecto, atenção e aprovação do seu pai que, em condições normais, deverá constituir o seu modelo de masculinidade. No entanto, convém não esquecer que muitas pessoas que experimentaram este tipo de privação emocional durante a sua infância ou adolescência, não apresentam sentimentos homossexuais. Por outro lado, muitos homossexuais assumidos não referem este tipo de história familiar.

Há ainda outros factores que parecem contribuir para uma orientação homossexual, designadamente antecedentes de abuso sexual durante a infância ou adolescência, pornografia, influência dos meios de comunicação, violência familiar ou prática de adultério por parte dos pais.

Em 1973, a homossexualidade (masculina e feminina) foi retirada da lista de comportamentos anormais e patológicos do Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais (DSM II), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria. Esta decisão não se baseou em dados científicos relevantes mas resultou da pressão exercida por activistas homossexuais, entre os quais alguns psiquiatras, sobre a referida Associação, transmitindo a ideia de que a orientação homossexual era determinada geneticamente, irreversível e apenas uma de muitas variantes do normal comportamento humano. Contudo, é inquestionável a eficácia da terapia de reorientação sexual, desde que haja motivação por parte do doente para mudar de comportamento, a convicção de que é possível a mudança e haja um ambiente de amor e aceitação. No entanto, a Associação Americana de Psiquiatria e outras sociedades científicas, a partir do momento em que a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença, opõem-se a qualquer tipo de terapia de reorientação sexual.

A promiscuidade sexual é frequente entre os homossexuais. Num estudo realizado recentemente, 75 por cento dos homossexuais masculinos revelaram terem tido mais de 100 parceiros sexuais durante a sua vida. Embora esta percentagem seja inferior nas mulheres, é mesmo assim bastante superior à dos casais heterossexuais. Múltiplas doenças frequentemente associadas ao estilo de vida homossexual, como as de transmissão sexual, com destaque para a Sida, bem como a depressão e outras perturbações do foro psiquiátrico, alcoolismo e consumo de drogas, requerem tratamento médico específico. Em termos gerais, verifica-se uma redução da esperança de vida de cerca 30 anos em homossexuais sexualmente activos.

O que diz a Bíblia?

Do ponto de vista bíblico, a sexualidade humana deve ter a sua expressão num relacionamento heterossexual e monógamo. É este o plano de Deus para o ser humano. A solidão do homem no jardim do Éden não foi resolvida com a criação de outro homem, mas sim pela criação de uma mulher Génesis 2:18.

Encontramos na Bíblia quatro textos principais relativos ao comportamento homossexual:

 1. A história de Sodoma Génesis 19:1/13 e a história semelhante de Guibeá Juízes 19. Embora a prática da homossexualidade (sodomia) não tivesse sido o único motivo da condenação de Sodoma, foi certamente um dos principais (Ezequiel 16 e Judas 1:7);

2. Os textos levíticos (Levítico 18:22 e Levítico 20:13), onde são claramente proibidos quaisquer actos homossexuais;

3. O relato do apóstolo Paulo sobre a sociedade decadente do seu tempo, sendo as práticas homossexuais consideradas uma perversão da ordem estabelecida por Deus (Romanos 1:26/27);

4. As duas listas paulinas de diversos tipos de pecado, cada uma delas mencionando os actos homossexuais 1ª Coríntios 6:9/10 e 1ª Timóteo 1:8/11. Na passagem da 1.ª Carta de Paulo aos Coríntios, as palavras traduzidas como “efeminados” e “sodomitas” referem-se respectivamente, no grego, aos agentes passivo e activo numa relação homossexual.



A análise atenta das passagens bíblicas acima referidas permite concluir que as práticas homossexuais são expressamente condenadas nas Escrituras. Contudo, não encontramos nelas qualquer referência à orientação ou sentimentos homossexuais que algumas pessoas experimentam, muitas vezes contra a sua vontade. À luz da Bíblia, os sentimentos homossexuais (isto é, a atracção por pessoas do mesmo sexo) não podem, por si só, ser considerados pecaminosos, desde que não sejam acompanhados de fantasias eróticas e não se ceda à tentação (cf. 1ª Coríntios 10:13 e Colossenses 3:5).

No entanto, o argumento de alguns grupos, oriundos de igrejas cristãs tradicionais, como é o caso do auto-denominado Gay Christian Movement, de que a homossexualidade é uma dádiva de Deus, sendo “perfeitamente compatível com a fé cristã não somente amar-se alguém do mesmo sexo como também expressar esse amor num relacionamento sexual” não tem fundamento nas Escrituras. Pelo contrário, tal como referimos, contraria claramente a revelação bíblica.

Atitude Cristã

Existem ainda muitos preconceitos e intolerância para com os homossexuais na sociedade em que vivemos, bem como na própria comunidade cristã. Contudo, é responsabilidade da Igreja cristã ser uma fonte de ajuda e compreensão para todos os que a procuram, seguindo o exemplo do Senhor Jesus Cristo que, embora condenasse duramente o pecado, procurava alcançar os pecadores com o Evangelho. Um exemplo sublime foi o modo como Jesus tratou a mulher apanhada a cometer adultério, perdoando-a mas advertindo-a para não voltar a pecar (cf. João 8:1/11).

Quando os crentes são agentes do amor incondicional de Deus e actuam no poder do Espírito Santo, muitos homossexuais encontram uma nova identidade em Cristo e obtêm libertação de sentimentos de culpa, solidão e baixa auto-estima. Muitos ex-homossexuais casam e constituem famílias felizes, enquanto outros permanecem solteiros mas servindo a Deus com dedicação. Alguns, no entanto, continuam a experimentar sentimentos homossexuais ao longo da vida, mesmo após uma conversão genuína.

No Reino Unido, existe uma Associação interdenominacional filiada na Aliança Evangélica Britânica, denominada True Freedom Trust que se dedica à evangelização, apoio e aconselhamento de todos os que experimentam problemas de natureza sexual. Alguns dos seus líderes, ex-homossexuais, são o testemunho vivo de que a libertação de um estilo de vida homossexual, embora difícil, é possível pelo poder de Deus.